8.3.1 - 2011
Recicle o lixo.
Pratique a tolerância.
Direito para Todos
MENSAGEM AOS ACADÊMICOS


Estamos quase chegando ao fim de mais um período letivo.
Temos visto tanta incoerência no mundo, nos meios políticos, no trabalho, na escola, com os amigos e, até, no ambiente familiar. Acabamos nos questionando se estamos indo no caminho correto, já que a humanidade parece estar andando em sentido contrário.
Bem, não acredito que todos se sintam assim... infelizmente, há os que não sabem nem do que estou falando...
Mas, para aqueles que sabem do que estou falando, quero confessar que, muitas vezes, me sinto confusa, desestimulada. Parece que ninguém está enxergando ou dando importância para as coisas realmente importantes, que são, em geral, simples.
Já percebeu como perdemos a simplicidade?
E graças a isso, somos prisioneiros, escravos, de métodos, sistemas, avanços.
E agora ?
E agora que não há outra solução: é ir andando em frente.
Se você tem bons valores e princípios, deve confiar neles e agir de acordo.
O mundo está incoerente. O mundo é feito de pessoas. As pessoas são, portanto, incoerentes. Somos pessoas. Será que temos sido coerentes?
Ser coerente significa agir com ausência de contradição, de forma que os princípios estejam de acordo com as consequências, com compatibilidade, com consistência.
Vejo os alunos cobrando as instituições, como é seu direito e, até, dever. Mas, por outro lado, vejo os alunos insistentemente pressionando para que no seu caso específico “seja aberta uma exceção, se quebre o galho, se ajeite”.
Como é possível ter uma instituição coerente, se nós mesmos pleiteamos que ela quebre regras o tempo todo, porque não fomos capazes de nos adequar a elas?
Quero dizer que este é um diagnóstico em no pequeno universo acadêmico. Transportando para o grande universo da vida de um país, o efeito é, proporcionalmente, mais devastador.
As eleições municipais se avizinham.
Podemos realmente dizer que a política em nosso país é incoerente?
Penso que a resposta, de imediato, será sim.  Todavia, se amadurecermos um pouquinho a questão, veremos que não, pois existe uma relação harmoniosa entre as pessoas que ocupam os postos de comando e os eleitores, pois, para que alguém chegue ao poder, num sistema democrático, ocupe um cargo eletivo, é preciso que receba votos. E quem vota?
Essa mensagem tem a intenção de alertar para que cada um de nós puxe para si a responsabilidade de seus atos. Os pequenos e corriqueiros e os grandes.
A coisa mais comum de se ouvir em época de resultado de provas é: “o professor fulano me deixou por tantos pontos!”. Vejam: o professor não deixa o aluno. É o aluno que fica, por uma simples razão: quem aprende é o aluno. O professor ensina, mas não pode aprender pelo aluno (se o professor não ensina, aí, a conversa já é outra...).
Quem tem o perfil de dizer que o professor deixou (exceto os casos de perseguição, que, infelizmente, ainda existem em algumas mentalidades medíocres...), tem o perfil de votar mal, de ser um mau cidadão, porque acha que tudo é com os outros, que o bem público não é de ninguém (quando é de todos!) e coisas assim, que sua única responsabilidade é comparecer, mal e porcamente, às urnas e pagar os impostos.
Não se fala noutra coisa: educação. Todo mundo sabe que o problema do Brasil é educação. É verdade. Não só a educação institucional e formal, aquela ministrada por uma entidade de ensino, mas, também, aquela que chamo de auto-educação.
Seria muito fácil e muito bom se só cobrássemos e não precisássemos fazer nossa parte. Mas nem no Jardim do Éden foi assim...
Como é que vamos cobrar, se nós não demonstramos seriedade, bom senso, coerência? Ninguém nos leva a sério e com razão!
Sempre estamos recomeçando: a cada ano, a cada semestre, a cada mês, a cada semana, a cada dia...
E a cada recomeço, tomamos decisões. Há grandes escolhas a serem feitas na vida: o curso que vamos fazer, a pessoa com quem vamos casar, se vamos casar, que emprego aceitar, o carro que vamos comprar, a casa, o nome do filho, quantos filhos e mais uma porção!
Essas escolhas afetam nossa vida.
Mas são as pequenas escolhas, cotidianas, silenciosas, corriqueiras, miúdas que realmente escrevem nossa vida. Já percebeu que, às vezes, você faz planos e quando olha para trás, está num caminho completamente diferente? “Quando é que eu escolhi esse caminho?”- você pensa. Foi aos pouquinhos, que você nem sentiu...
E é dessas pequenas escolhas, que manifestamos através das pequenas atitudes do dia a dia, que estou falando. Elas têm que fazer sentido e ter coerência. 
  Assistir ou matar aula? Acompanhar as explicações ou bater-papo na sala presencialmente ou no Facebook ou MSN? Redigir meus próprios trabalhos ou comprar-copiar?
Percebe? Todas estas pequenas escolhas fazem uma diferença enorme...
E sempre é tempo de nos analisarmos: as minhas escolhas estão me levando no caminho que quero para mim?
E por favor: não estou pregando a caretice, a mesmice, a chatice. Festas fazem bem e bom humor é fundamental. Há hora para tudo.
Encerro citando o escritor Carlos Castañeda, por seu personagem D. Juan: “... possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma.”
Em caso afirmativo, (o caminho do Direito possui para você um coração?) é preciso fazer o melhor possível, o seu melhor. Não há nada mais doído do que olhar para trás e perceber que fez tudo errado, que desperdiçou tempo, recursos, juventude, porque não há como voltar...
Não se sabote...