8.3.1 - 2011
Recicle o lixo.
Pratique a tolerância.
Direito para Todos
 
 
“- Desculpe, excelência, mas não é isso que está dito aí no termo, não. Da forma como está redigido, o entendimento é de que a multa incidirá sobre as parcelas descumpridas e não sobre o valor total do acordo - disse o advogado.
- Não, não é isso não. É sobre o total do acordo. Eu sempre redijo assim... - respondeu a juíza trabalhista.
- Desculpe, excelência, mas não é isso que está dito aí...
- Não tem importância: se não cumprir, sou eu mesma que vou executar e aí eu sempre considero o valor total.
- Entendo, excelência. Mas não podemos assinar o termo assim, porque pode ser que a senhora seja promovida e venha outro juiz e o texto não dá a entender que seja sobre o valor do acordo e, sim, sobre o que faltar...
- O senhor quer mexer no meu termo de audiência?!!! Fique sabendo que eu sempre redigi dessa forma e nunca ninguém reclamou! Só faltava agora eu ter que mudar a redação do meu termo! Se o senhor não quiser assinar, não assina! Eu vou dar as partes por inconciliadas e vocês fazem o acordo por petição. Mas já vou avisar que eu não despacho na hora... vai demorar!
- Desculpe, excelência, data venia, não sabia que o termo de audiência era seu... a senhora leva pra casa depois  do expediente? O termo de audiência não é seu, excelência. Não é meu e não é da minha colega advogada... e a redação não reflete o que foi acordado pelas partes.
- Isso é o cúmulo!!!! O senhor só está falando bobagens, desde que chegou aqui! Agora quer mudar a minha redação!!! Não vou mudar, está entendendo?
- Não sabia que a sua redação era irretocável, excelência.
- Tá encerrada a audiência!
E virando-se para a atônita escrevente:
-Põe aí que não deu conciliação!”
Me dá que o termo é meu!