Por WILGES BRUSCATO
Postado em 15 de agosto de 2011
Percebo que para muitas pessoas, a internet se torna uma ferramenta de sobrevivência emocional, porque através dela integramos as chamadas redes sociais, como o Facebook, o Myspace, o Orkut, o Twitter, o Sonico, para citar as mais conhecidas...

Talvez seja a essencial carência afetiva do ser humano encontrando eco na tecnologia.

As redes sociais têm o mérito de possibilitar o reencontro com aqueles que há muito não víamos e dos quais nada mais sabíamos. As pessoas se aproximam, alinham interesses e preferências, manifestam opinião, posicionam-se, expõem sentimentos.

As mais diversas questões ganham visibilidade e, em questão de horas, é possível agregar considerável apoio a uma determinada causa, ampliando a participação popular nas mobilizações sociais, por exemplo.

Essa é a parte supimpa, bacana, show de bola.

Cinquenta e dois por cento dos integrantes de tais redes se constitui de jovens entre 12 e 34 anos, pela familiaridade que essa faixa tem com a informática, bem como sua facilidade de acesso.

Talvez devido aos hormônios efervescentes e a pouca experiência de vida, a impulsividade que caracteriza as ações da juventude é facilmente detectada nas participações publicadas nas redes, que são utilizadas, às vezes quase que exclusivamente, para a postagem de comentários de ordem pessoal e íntima.

Percebam que me referi à publicação das participações. Publicação - como é intuitivo - está ligada à publicidade, ao caráter daquilo que é público, ou seja, segundo o dicionário, aquilo que é aberto a quaisquer pessoas, que é conhecido de todos, manifesto, notório.

Por estarmos na segurança de um ambiente físico conhecido - casa, escola, trabalho, lan house - temos a impressão de que estamos nos dirigindo a pessoas específicas, de nosso relacionamento diário.

Mas não é isso que acontece.

Para muitos, é a realização egocêntrica de ser reconhecido, com a impressão de ganhar notoriedade, de tornar-se uma efêmera celebridade eletrônica.

Porém, aqui no mundo dos mortais, a exposição acaba sendo, às vezes, demasiada...

A gente não pode precisar quem serão as pessoas que terão acesso a nossos comentários, que podem ser replicados por nossos amigos, pelos amigos dos amigos e pelos amigos dos amigos dos amigos...

Muitos comentários acabam festejando ações questionáveis ou duvidosas: “Bora lá bebê, moçada! Quero me acabar hoje!” ou “Hoje eu não respondo por mim! Vou com o primeiro que aparecer! E com o segundo, o terceiro, o quarto...”

Também tem sempre alguma mentirinha inocente - “professor, eu vou ter que faltar da sua aula esses dias porque vou acompanhar meu avozinho de 99 anos, que mora no Rio de Janeiro, ao médico para um exame muito complicado e não tem ninguém para ir com ele; ele tem problemas de locomoção... não posso deixá-lo sozinho. Não me dá falta, não, por favor.” Aí, no dia seguinte, o infeliz posta uma foto dele na praia, com uma garrafa de vodka na mão, para sacanear os babacas dos colegas que estão assistindo aula de metodologia...” Resultado: falta nele, gente!

Sem contar na preguiça de escrever, que levou ao desenvolvimento de uma linguagem, que permite que se escreva tudo rápido! E errado... Não existe pontuação, ortografia é coisa do passado, coerência de texto é algo estritamente pessoal... nada disso é preocupação.

A falta de imaginação e criatividade fica patente no compartilhamento de links sem qualquer indicação, comentário, descrição...

O que interessa é movimentar! Viva a duplicação! Amor eterno ao copiar e colar!

Sem falar no barato total - sei que estou me detonando aqui com essas expressões moderninhas ultrapassadas... - de enviar convite e pedido de tudo quanto é aplicativo para Deus e o mundo, sem nenhum critério, atulhando a área dos outros!

Mas, porém, no entanto, todavia, contudo, é preciso ter consciência da vulnerabilidade que inserimos em nossa vida com uma conduta cibernética inadequada via redes sociais.

É necessário lembrar que os recrutadores de pessoal também têm acesso às redes sociais e buscam nelas, através do perfil de candidatos a vagas de emprego ou estágio, informações complementares, nem sempre reveladas ou percebidas nas entrevistas.

Gente, o menos é mais.

Tem quem fique twittando - isso já é um verbo, gente??? - o dia inteiro. É um vício. E, como o que importa é a quantidade de postagens, a qualidade sofre: “Acordei!”, “o papel higiênico aqui em casa hoje é azul”, “comi sucrilhos”, “vou usar minha blusinha branca hoje”, “tô entrando no carro”, “tô ligando o carro”, “tô saindo da garagem”, “cheguei na esquina”, ...
Valha-me Nossa Senhora da Conexão Banda Larga!

No mínimo, alguém que tenha interesse em você - como um possível empregador ou parceiro amoroso - chegará facilmente à conclusão de que você é uma pessoa superficial, talvez fútil, egocêntrica, mais preocupada em estar na rede - ou na fita -  do que em trabalhar ou dedicar-se a um relacionamento.

Então, oportunidades valiosas podem ser perdidas assim: sem que você sequer chegue a saber.

Imagina o seu futuro chefe vendo seus comentários: “DESTETO acordar cedo!”, “que preguiiiiiiiiiiiiiiiiiiça...”, “meu lema é: bebê, caí e levantá!”, “odeio regras!”, “chega logo sexta-feira!” tudo isso junto e muito mais... vai rolar o estágio??? Não!

Alegria, bom humor, descontração são qualidades muito interessantes, mas não a ponto de anularem inteligência e capacidade de discernimento... Irreverência demais tem seu preço.

Sem perceber, nós mesmos estamos entrando voluntariamente nas vistas do grande irmão, que tudo vê e tudo ouve... Construindo nossa imagem pública nas redes sociais.

Então, se conselho vale, não faça nada nas redes sociais que você não faria na rua...



DETESTO ACORDAR CEDO...